segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Choro contido

Eu quero chorar,um choro doído
De lavar a alma,carregado de saudade
Mas que fosse renovo
Uma coisa que desafogasse meu peito
E que afogasse meus erros
Um choro de soluço
Pra depois beber água
E viver de cara
Pra vida
Pra morte
Eu quero esse choro que vêm
Porém não sai
Travado,bonito,sereno
Esperançoso no dia
Em que chorar seja algo amigo
Numa vida cheia de angústias
Quero chorar o último choro
Como se não houvesse mais nada
Mas que eu pudesse sentar
E me sentir confortado
Por ser o chorão
Que não consegue chorar.

domingo, 20 de novembro de 2011

Ao menos uma vez na vida...

Ao menos uma vez na vida....

Devemos viver um amor infinito, eterno enquanto dure.

Devemos sair de casa sem rumo,só pelo prazer de andar.

Devemos fazer um jantar para os amigos.

Devemos plantar uma rosa.

Devemos dormir até morrer e acordar.

Devemos escrever uma música e cantá-la na rua.

Devemos participar de um Sarau.

Devemos ensinar algo importante para uma criança.

Devemos passar o dia ouvindo os conselho de um casal de velhinhos.

Devemos comer uma lata de brigadeiro e passar mal.

Devemos cuidar de um órfão e de uma viúva.

Devemos ver o sol nascer enquanto todos dormem.

Devemos abraçar um estranho com amor.

Devemos construir um cata-vento de papel.

Devemos olhar para o futuro com fé no presente.



Mafra.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Morena

Inspirado na beleza da musica

Morena,é da arte de amar
Amar devagar
Com pressa esfria
Quem não sabe amar

Morena,é da arte de ver
Te ver devagar
Com pressa é pouco
Quem não sabe olhar

Morena,é da arte de falar
Falar ao pé do ouvido
Com grito é chato
Quem não sabe falar

Morena,é da arte de ser
Ser de esperar
Com outra é vazio
Quem não sabe aguardar

Morena,de amar
Morena,de ver
Morena,de falar
Morena,de ser...

Ah...morena!

sábado, 12 de novembro de 2011

Minha visão sobre os "Burguesinhos Maconheiros" da USP

Imagem do Ato dos Estudantes da USP

Queridos,na última quinta-feira(10/11) participei do Ato público e da Assembléia dos estudantes da USP que estão de greve,a priori,como a maioria da população, fui levado pela mídia a pensar que o embate era sobre o uso da maconha no Campus.Eu já duvidada dessa versão,fui lá para ter certeza das minhas suspeitas e tirar algumas duvidas.Quando eu estava lá,não se defendeu o uso da maconha,mas sim o combate aos abusos que a PM faz ao abordar os alunos e a gestão do Reitor Rodas.Concordo que o inicio do movimento foi meio falho(devido a invasão mal planejada da Reitoria e o suposto vinculo com a maconha),porem hoje eu apoio a luta dos estudantes. A PM ao entrar na Reitoria levou uma aluna pra uma sala fechada,ela gritava muito e disse que apanhou lá dentro,a PM também jogou bombas no Crusp(moradia estudantil da USP) sendo que os alunos estavam DORMINDO e não participavam da ocupação da Reitoria,eles foram proibidos de saírem do prédio,os PM's do Choque estavam sem identificação.Os alunos que invadiram a Reitoria assumiram que quebraram o portão para entrar,quebraram as câmeras de filmagem e pixaram parte do prédio,entretanto disseram que não quebraram nada além disso e que a PM entrou,quebrou as coisas e deixou a mídia filmar para culparem os estudantes.

Está sendo discutido pelos alunos uma via de segurança que não seja a PM,afinal,um aluno foi morto e isso é lamentável,entretanto a PM no Campus funciona como ferramenta repressora do Estado(antes de alguém me criticar com frases de efeito,participe de algum protesto contra o governo do Estado e da prefeitura,que tu vai ver a tensão que é,ter que correr da PM sem ter feito absolutamente nada,nem sempre acontece repressão, mas já presenciei algumas). O atrito com a PM é antigo,desde o tempo da ditadura, e pra quem não acredita ainda somos reprimidos,é de maneira escondida mas existe repressão,alguns episódios de violência na Faculdade de Direito e na FFLCH são recentes,converse com um Uspiano e pergunte o que aconteceu. Eu sei que estudantes exageram em protestos(proibir que alunos que não aderiram a greve entrem na aula é inaceitável) na assembléia os alunos votaram por não fazer barricadas nas faculdades que não estão de greve,mas sempre tem alguns que fazem o que querem,com algumas atitudes dos Uspianos eu não concordo,mas o cerne da discussão eu apoio. Estudo no Mackenie,Universidade privada,tenho bolsa do Prouni,vocês que estão lendo esse post custeiam meus estudos com seus impostos,bancam também os alunos da USP,o minimo que podemos fazer é retribuir de maneira ativa na construção de um Brasil melhor e isso acontece questionando o Estado e suas falhas,o movimento dos alunos da Usp não é por liberação da maconha,mas sim contra a truculência da PM dentro e fora do Campus,contra as decisões erradas do Reitor e por segurança no Campus.
Imagem da Assembléia no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP

Por gentileza,não fale do que você não sabe ou acha que sabe por ler o demônio que o parta conhecido como mídia de massa! Duvide do que você lê(até mesmo do que eu escrevi),vá até a fonte,leia os dois lados e depois forme sua opinião.Se Deus quiser em 2013 estarei fazendo Filosofia na USP,quero muito construir um Brasil melhor,como militante cidadão,como professor e como amigo,até lá vou ajudando com o que eu posso,sendo brasileiro com muito orgulho e muito Amor!

Lembranças a família do aluno Felipe Ramos de Paiva,morto dia 18 de maio na tentativa de assalto no estacionamento da FEA-USP,lutar contra a truculência da PM não significa que esquecemos disso e que não respeitamos a dor que esse fato deixou,apenas acreditamos que a PM não é melhor forma de garantir a segurança,ela estava lá no dia e por ironia ou sei lá o que, não conseguiu ajuda-lo,mesmo sendo contra a presença da PM eu abriria mão da minha opinião política e desejaria muito que eles estivessem perto dele e garantissem sua segurança(nenhum embate filosófico-politico está acima da preservação da vida humana).Por fim...essa é a visão de um estudante de fora da USP, de fora da corporação da PM e que não acredita no que a Revista Veja escreve.

Abraço!

Mafra.

Ps.Não sou contra a corporação da PM como um todo,mas sim contra a maneira que os ato de protestos são tratados.Quem quiser ler um pouco a partir da versão dos alunos, acesse o site do DCE(Diretório Central dos Estudantes da USP) http://www.dceusp.org.br/

sábado, 29 de outubro de 2011

O Púlpito e o Punhal

Texto extraído do blog da Editora Fiel - http://www.blogfiel.com.br/2011/10/o-pulpito-e-o-punhal.html

Cleyton Gadelha

Reconhecendo que é nosso dever, como cristãos, estarmos do mesmo lado, permito-me, entretanto, apontar o dedo contra nós mesmos. Sim, precisamos que alguém, afinal, diga que as armas que estão matando nossa identidade foram gestadas por nossa tolerância autofágica.

É desesperadora a angústia de precisar se agarrar à tentativa de fazer a igreja permanecer em moldes biblicamente concebíveis.

As últimas três décadas foram devastadoras para a igreja no Brasil. À medida que a igreja ia sendo transformada de protestante em "evangélica", as estatísticas do IBGE embriagaram nossa percepção. Quase ninguém se dava conta que o processo estava apodrecendo a Igreja por dentro. Os fatores que viabilizavam tal crescimento não eram, nem de longe, legítimos como práticas cristãs.

Dos "dentes de ouro" à "Marcha prá Jesus" parte de nossa herança foi extraviada. Sem reflexão teológica, a igreja caiu nas mãos de celebridades da música gospel e de líderes carismáticos que invadiram a mídia, assumindo de forma usurpada, o direito de falarem em nome da Igreja.

A face pública do movimento chamado evangélico parece, como diria Olavo de Carvalho, "uma gigantesca máquina de desentortar banana". Visibilidade impressionante, mas completamente esvaziado de significado.

O que está aí é estatisticamente impressionante, mas não pode ser celebrado como cristianismo, porque não o é. Um "cristianismo" que não produz impacto moral sobre a sociedade. Um cristianismo que, várias vezes, fica aquém da moral pagã, não foi, evidentemente, esculpido pelo poder santificador do Espírito Santo.

Por outro lado, as denominações históricas, que deveriam ter ancorado o cristianismo no porto da reforma protestante, praticaram crime ainda maior, quando entregaram suas escolas teológicas nas mãos dos liberais.

Seminários protestantes pagaram salários a professores liberais que corromperam a fé dos nossos jovens que, indefesos,foram entregues nas mãos deles para serem "bultmanntizados", "tilichizados"etc. Esses jovens, depois de quatro anos, eram feitos pastores e, usaram nossos púlpitos como arma letal de desconstrução do cristianismo bíblico. "Quem apóia lobos, sacrifica as ovelhas". Por isso a história não nos tem por inocente.

Muitas igrejas morreram, e o punhal que as matou foi um púlpito pejado de má teologia.

Batistas, Presbiterianos e todos os históricos, precisamos fazer um "mea – culpa" porque a resposta dos nossos pais ficou muito aquém da necessidade da igreja e, nós, não somos melhores do que os nossos pais, portanto chorar é também nossa parte.

Como Deus sempre tem que salvar o seu povo, porque se dependesse de nós, seu plano seria de todo extraviado, mais uma vez está Ele vindo em nosso socorro.

É encorajador ver algo novo, burbulhante, se movendo como um broto emergindo de um toco queimado. Há uma força que não se deterá por ser pequena. O Senhor já começou sua reação. Há um vigoroso despertamento das igrejas do Brasil rumo às Doutrinas da Graça.

O mote dos anos 70/80 era: Doutrina não! Doutrina divide! Esse bordão enganoso está sendo substituído no coração de um remanescente que começa a bradar nos púlpitos e nas redes sociais, em acampamentos e em conversa de mesa: Doutrina sim! Teologia Sim! E que sejam aquelas velhas doutrinas que mudaram a Igreja e o mundo no século 16. Como disse Marcos Granconato: "Teologia é como vinho, quanto mais velha melhor".

Palavras como Wittenberg, Genebra, Dort, Westminster, Puritanos, Credo, impronunciáveis há alguns anos, compõem agora a falação da galera jovem e dos veneráveiss anciãos de nossas igrejas. A hora da virada chegou!
Deus está visitando a igreja no Brasil para reesculpir sua face com o cinzel da virilidade bíblica e da pujança dos reformadores que batalharam pela fé dos santos sem jamais desfalecerem.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Nós os vagotônicos - Vinicius de Moraes

“Nós, os vagotônicos, de quando em vez precisamos de férias, porque senão se nos evapora a substância. Que os leitores me perdoem, a mim e a meu vago simpático, por essa deserção provisória, preenchida, de resto, com grande linha por Jorge Vargas. Já estou de novo bem, obrigado. De volta a este retângulo, eu quero em primeiro lugar agradecer (não tenham medo que não vem discurso…) a todos os vagotônicos pela assistência moral, bons conselhos e receitas que me deram – especialmente a minha amiga Araci de Almeida, rainha dos vago-simpáticos, e o meu amigo Fernando Lobo que fez um samba lindíssimo sobre Noel, e que tem teorias próprias sobre a disfunção, as quais põe em prática com o maior gosto e proveito.

Aliás, por falar em vagotonia, eu descobri no decorrer dessa minha última crise que nós, os vagotônicos, formamos uma impressionante maçonaria. A solidariedade entre os membros da seita é admirável. Estive, nessa ultima semana, com vários grupos, e ao anunciar-lhes eu que me achava no “auge da vagotonia” (pois todo vagotônico que se preza não só tem o maior orgulho de sê-lo e demonstrá-lo, como sempre exagera ao Maximo o seu estado), ganhava imediatamente a simpatia dos correligionários presentes, terminando por formarmos um bloco coeso contra os pobres mortais que têm o vago-simpático perfeito.

- Como é, querida? Como vai essa vagotonia?- Ah, meu filho, já nem sei mais… E você?- No fundo do poço.- Quer dizer que você não esta aqui hoje?

- Ah, eu nem sei mais onde é que estou…

E assim por diante, tudo entrecortado por longos silêncios, durante os quais a pessoas cai do alto de arranha-céus bem devagarinho, é enterrada viva, despenca de elevador, some terra adentro por um buraco súbito que se vagotoniza, pois todo vagotônico sobe como um foguete, até as regiões siderais, se perde nas catacumbas de Roma, se afoga na banheira, porque uma paralisia repentina não permite que se feche a torneira, sobe e desce degraus inexistentes, fica quente, fica frio, fica quente de novo, se ruboriza, empalidece, cai numa delinqüência, ouve o coração bater na ponta do dedão do pé, sua nas mãos, tem a boca seca – enfim, a felicidade completa.

Não me queiram mal por essa digressão. O fenômeno é importante, pois ele pode influir na crônica, e eu a quero isenta. Aliás, essa semana cabe falar de vagotonia, pois vai entrar em cartaz essa grande vagotônica que é Bette Davis – e isso, meus amigos, vai ser uma delicia. Vai ser uma verdadeira delicia.”

Vinícius de Moraes

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Rookmaaker - Palavrantiga


Espiritualidade com inteligêcia...sim,é possível! Palavrantiga tá aí pra mostrar!




Eu leio Rookmaaker, você Jean Paul Sartre
A cidade foi tomada pelos homens.
Na cidade dos homens tem gente que consegue ler,
mas os outros estão néscios pra Ti.

Eu canto Keith Grenn, você canta o que?
A cidade está cheia de sons.
Na cidade dos homens tem gente que consegue ouvir,
mas os outros estão surdos pra Ti.

Vem jogando tudo pra fora.
A verdade apressa minha hora.
Vem revela a vida que é nova.
Abre os meus olhos agora.

Eu fico com a escola de Rembrandt você no dadaísmo de
Berlim.
A cidade está cheia de tinta.
Na cidade dos homens tem gente que consegue ver,
mas os outros estão cegos pra Ti.

Eu monto o paradoxo no palco. Você anda zombando da
Cruz.
A cidade está cheia de atores.
Na cidade dos homens tem gente que consegue dizer,
mas os outros estão mudos pra Ti.

Vem jogando tudo pra fora.
A verdade apressa minha hora.
Vem revela a vida que é nova.
Abre os meus olhos agora.

Toda vez que procuro aqui algo pra ler, ouvir, olhar e
dizer,
Senhor sabe o que eu quero.
Não me furto a certeza: és a Vida que eu quero.